Fazem 3 meses que eu e meu filho de 7 anos nos mudamos. Nossa mudança não foi uma mudança para nossas vidas, ou uma necessidade nossa, mas sim uma necessidade de alguém que precisava de cuidados.
Durante toda minha vida, nunca tive muito contato caloroso com meus pais, e na minha vida adulta sinto isso cada vez mais distante, mas vó é alguém que acredito eu todo mundo tem um carinho especial, uma lembrança de uma comidinha com um sabor único, um passeio, ou simplesmente coisas de vó, como ir no mercado e comprar todas porcarias que os pais não te deixam comer.
Tenho muitas lembranças com os meus avós maternos, minha mãe sempre trabalhou muito, e eu adorava passar as ferias na casa dos meus avós, meu avô adorava agradar, fazer grandes aventuras e passeios, afinal a neta mais velha precisa de algum destaque, que os menores não conseguem acompanhar.
Em fevereiro de 2014, o avozinho se foi, estava na casa que ele sempre amou, no lugar que construiu pedra por pedra para ser o lar da família que construiu. Foi sereno e sem dores, viveu 86 anos, mas foi nos últimos 3 que se tornou tão meu. Porque precisava de cuidados, por que com o simples ruido se movimentando na cama, despertava meu sono.
Depois que o vô faleceu, minha vó que sempre teve melhor saúde começou a ficar mais debilitada e precisando de amais atenção, coisa que não se pode contar apenas com o cuidado de alguém que é pago para isso. Foi ai que decidi abrir mão de boa parte da minha liberdade, para garantir que ela tenha o melhor nesse momento.
Não é fácil fazer uma idosa, que sempre se virou em tudo, entender que precisa de cuidado constante, que precisa de alguém para alimenta-la, para entregar-lhe os remédios, dar banho, mas também não é fácil fazer um menino de 7 anos mudar sua vida, se adaptar com as necessidades que uma casa de idosos tem. E principalmente entender que a liberdade que possuía não existe mais.
Hoje, 09 de julho porém, tomamos o maior susto. Enquanto colocava o uniforme da escola, a vó escorregou, e se foi ao cão, Murilo ficou apavorado, correu e veio me chamar. Descobri mais uma tarefa nada fácil nessa lista, levantar do chão uma pessoa que não tem força nas pernas e nos braços e que tem uma estatura maior que eu. Isso me fez ver e fez que o Murilo percebesse a importância de estarmos aqui, a necessidade de adequar nossa vida. Eu não tive chance de conviver com meus bisavós, mas o amor que tenho e sempre tive pelos meus avós, incentiva que o Murilo aproveite isso, e troque com a vó a experiencia de ser jovem e ser idoso. Todos os dias ele traz pra ela vida, informações novas, golpes de judo, coisas que aprende na escola, e ela troca o que sabe da vida, a bagagem que carrega. E é isso que a mantem viva!
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